Você já adiou o dia inteiro porque tinha um compromisso às 19h?

Parece estranho para quem observa de fora.

“São apenas 19 horas. Dá tempo de fazer tanta coisa antes.”

Mas, para muitas pessoas com TDAH, não funciona assim.

O cérebro entra em uma espécie de modo de espera. É como se aquele compromisso futuro ocupasse toda a capacidade de planejamento e organização do dia. Iniciar uma nova tarefa parece arriscado. E, pouco a pouco, as horas passam.

Esse fenômeno é frequentemente chamado de paralisia de antecipação ou waiting mode. Não é falta de vontade. Não é preguiça. E, muito menos, falta de inteligência.

Estamos falando de um funcionamento diferente das funções executivas do cérebro, especialmente da capacidade de gerenciar tempo, iniciar tarefas, alternar o foco e regular a atenção.

O resultado costuma ser conhecido por quem convive com o TDAH:

  • sensação de que o dia foi “perdido”;
  • culpa por não ter produzido;
  • ansiedade crescente à medida que o horário se aproxima;
  • e a falsa impressão de que “eu poderia ter feito muito mais”.

A boa notícia é que existem estratégias que ajudam. Dividir o dia em blocos menores, utilizar lembretes externos, criar pequenas metas intermediárias e aprender a regular a ansiedade podem fazer uma enorme diferença.

Como psicóloga, atendendo a pessoas com TDAH desde 1992 (no Brasil poicos falavam sobre o assunto nessa época) acompanho isso diariamente no consultório.

Quando a pessoa compreende que seu cérebro funciona de maneira diferente, ela deixa de lutar contra si mesma e começa a construir estratégias que realmente funcionam para sua realidade.

Conhecimento gera autonomia. E autonomia transforma qualidade de vida.

Você já viveu ou conhece alguém que passa por essa experiência?

Deixe um Comentário